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      Design Conceitual    
   

    por Philipe Kilng David

   
         
   
 

Este artigo é uma continuação do artigo no qual eu mostro passo-a-passo a criação de uma escultura conceitual a partir de um esboço ou desenho.

O artigo é introdutório e não um tratado definitivo. Assim, muitas dúvidas surgirão e eu recomendo a prática para aperfeiçoar a técnica. Não sou doutor nesses assuntos, sou um curioso como você, assim não me proponho aqui a fazer “o artigo” definitivo sobre algum assunto, o que significa que nem todas as respostas que você quer estarão aqui no artigo.

Ele cobre desde a concepção, execução, fabricação de um protótipo, de um molde e cópia da peça em resina e é útil tanto para pequenos animadores de stop motion ( já que saber fazer um molde é pré-requisito para poder fazer determinadas animações profissionais de stop motion. -Aguarde! Em breve num próximo artigo) tanto quando modelistas e designers industriais.

Suponha que você é incumbido da tarefa de fazer um carro supermoderno. Não há muita complicação no processo de modelar a carroceria, mas como fica quando você precisa fazer as calotas, pneus específicos, rodas e peças padronizadas e exclusivas do teu modelo que devem ser rigorosamente iguais e não se encontram à venda? Pois é. Esculpa e duplique.
Já imaginou o problema que seria se você fosse contratado para uma série de peças comissionadas para uma grande empresa da fabricação de brinquedos, onde ela precisaria de um esquadrão inteiro de soldados? Olha que tremenda utilidade seria fazer uma estrutura básica e duplicar, para perder tempo apenas com os detalhes que realmente importam!
O presente artigo cobrirá efeitos adicionais, como iluminação em partes da peça. Muito útil para maquetistas e designers conceituais que gostam de surpreender o cliente.

Neste artigo trataremos de conceitos que são úteis para designers de efeitos especiais e props, como armas, objetos de cena (sobretudo os que estouram, explodem e se espatifam) e fabricação de peças para coleção. Uma vez que você compreenda e domine o processo simples da duplicação, você estará apto a fabricar e vender os seus modelos, bem como copiar modelos comerciais para uso próprio. Mas evite virar um clonador de peças comerciais caras, pois pode dar problemas de copyright, já que isso é pirataria.

Apesar de ser uma continuação, eu optei por dar um caráter totalmente novo a este artigo, desvinculando-o da última peça, que foi produzida inteiramente a partir da imagem de um robô desenhado pelo renomado designer conceitual Feng Zhu. Fiz isso porque nem sempre as pessoas lêem as coisas na ordem. Assim, abordarei aqui a construção de uma escultura usando o mesmo material do artigo anterior, a massa Super Sculpey.
Se você ficou interessado na massa e quiser saber mais sobre massas, há mais um artigo em que eu falo um pouco sobre elas. Para comprar, entre em contato comigo.

Mas já que muita gente manifestou interesse, vou dar uma falada rápida aqui sobre esta massa que usarei.
Bem, a massa que trabalho geralmente é conhecida como massa de polímero. A massa de polímero ou polyclay é essencialmente um composto de microscópicas partículas de policloreto de vinila, ou como é vulgarmente conhecido este plástico, o PVC, que são emulsionadas com uma substância derivada de petróleo, ceras especiais e destilados químicos secretos.

O polyclay é uma massa parecida com massinha (plastilina) que pode ser assado no forno caseiro, e assim os destilados de petróleo se evaporam fazendo as pequenas partículas de PVC se agruparem, formando um maravilhoso material que se assemelha ao plástico e a madeira, altamente resistente, que pode ser serrado, cortado, furado, lixado e pintado.

Há muitos tipos e fabricantes diferentes de polyclays. Eles variam de acordo com a necessidade especial do artista (há os que viram borracha, há os que ficam rígidos, há os que viram borracha escolar, os que brilham no escuro, etc.) e a sua capacidade de compra, pois os valores também oscilam muito, em geral acompanhando os valores do petróleo e do dólar. Não há polyclay nacional ainda. Tudo é importado.

Mas como eu ia dizendo, eu resolvi fazer algo novo para este artigo, afinal não haveria novidade rever como foi feito o robô, pois isso já havia sido mostrado no artigo anterior. Neste especialmente, eu optei por algo mais na moda. Enquanto escrevo este artigo, o segundo filme da saga STAR WARS está pra estrear no Brasil. Assim, não vou contar o filme, mas todo mundo sabe que o mestre YODA, um jedi alienígena poderoso de aproximadamente 900 anos finalmente mostra seu estilo, e luta usando um inédito sabre de luz.

Não tive dúvidas de que uma peça com o grau de dificuldade que eu necessitava seria justamente a que mostrasse Yoda, empunhando seu sabre de luz em uma pose que refletisse seu caráter solene e ao mesmo tempo desafiador.
Bem, resolvo fazer isso após ler um email (na verdade tenho a idéia justamente enquanto leio) de um designer que gostou o artigo anterior.

Marco a hora, pois é sempre bom estimar o tempo de trabalho. Faço isso por duas razões. A primeira é aferir se minha velocidade de escultura reduziu ou aumentou (em geral, logo que um iniciante começa ele leva muito tempo, até dias para completar uma peça. Com a prática este tempo cai dramaticamente). E a segunda razão é que se eu for contratado para uma escultura comissionada, preciso ter uma noção de tempo/trabalho para definir valores. Isso é muito útil. Se você nunca fez, faça. Até mesmo no processo de modelagem em 3d. É sempre fundamental que você se conheça. Como diziam os mestres da guerra do Japão feudal, “se o general não conhece seu exército ele perderá todas as batalhas”.

Novamente, a primeira coisa que eu fiz foi estudar a melhor pose para a peça. Isso evitou muito desperdício de tempo posicionando e reposicionando o esqueleto da mesma.

O resultado melhor eu obtive com uma pose pré-combate que retirou muito do movimento que eu pretendia para a peça, mas que acrescentava alguma dignidade extra a um coroa de 900 anos. Além do mais, estar de pé portando o lightsaber aceso e meio de lado sempre foi praticamente uma “pose compulsória” para se retratar um jedi...

Usei papel e lápis para traçar esboços da melhor pose. É neste momento que detalhes podem ser acrescentados e subtraídos sem dor. Minha idéia inicial, como se pode ver pelos desenhos, era fazer uma versão do Yoda. Não necessariamente a mesma do filme. Mas me contive da empolgação de alterar o mesmo em demasia, pois poderia gerar problemas, como o de as pessoas não associarem a figura do Yoda ao boneco e até mesmo a alteração excessiva poderia acabar parecendo um subterfúgio para alguém que não conseguisse esculpir exatamente o Yoda que todos conhecem. Então, mudei os planos e parti para o clássico Yoda.

Não foi muito difícil obter referências. O problema maior foi obter boas referências, pois muito do que se vê na net sobre o Yoda são imagens ruins, em baixa resolução onde o rosto aparece com poucos detalhes. Por sorte eu já havia feito o Yoda antes, mas em tamanho real para um projeto animatrônico de efeitos especiais, e me lembrava de muita coisa da anatomia do rosto do pequeno ser. Assim, praticamente esculpi de memória.

Com a tradicional base de madeira, iniciei o trabalho de escultura. Da última vez eu mencionei, mas falei pouco sobre ela. Eu uso uma ma pequena placa de aglomerado ou compensado de dois centímetros de espessura. Nesta base, faço furos para enfiar o arame de aço. Muitos artistas usam uma base própria para a maioria de suas peças. Devido à necessidade de mudança de poses, eles costumam fazer numa placa dezenas de furos usando uma pequena broca para madeira. Isso facilita bastante, porque não é necessário furar a base para cada modelo. O furo já está lá. É só passar o arame. Facilita também na hora de reposicionar. Neste caso eu não usei, mas você pode usar sem problemas.

 
   
           
   
     
   
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