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      Desenhos japoneses são sinônimo de violência?    
   

    por Sandra Monte

   
         
   
 

Os desenhos japoneses são criticados pela violência, mas será mesmo que isso influencia no comportamento das crianças?

Dragon Ball Z, Pokemon, Digimon, Card Captor Sakura, Samurai X são apenas alguns exemplos de vários desenhos animados japoneses - conhecidos como animês entre os jovens - que passam em nossa televisão. São desenhos muito famosos entre crianças e adolescentes.

Para os especialistas, os desenhos japoneses têm influência negativa na formação do indivíduo tanto quanto vídeos games e televisão. Para a psicóloga Oraide Pavani, 37 anos, a criança até os oito anos, ainda não desenvolveu a capacidade de discernir entre o certo e o errado, por isso, deve ser orientada sobre aquilo que está assistindo na televisão. "O problema é quando ela passa muitas horas em frente à TV, envolvendo-se com uma realidade deturpada, que não contribui para o seu aprendizado. Os pais devem acompanhar sempre o que os filhos estão assistindo e questionar seu conteúdo", afirma Pavani. Para ela, os desenhos animados japoneses ainda estimulam a agressividade infantil. "Há sempre o dominador e o dominado, a luta pelo poder e a agressão física", acrescenta.
Nesse contexto, os desenhos animados são criticados constantemente pelos especialistas. Segundo a pedagoga Maria Fernanda Branco, 51 anos, os desenhos animados japoneses passam valores questionáveis. "Esses desenhos banalizam a violência, pois mostram batalhas, lutas, guerrilhas e morte. São vendáveis. As crianças ficam fascinadas pelos bonecos e brinquedos das personagens", conta.

A principal orientação dos especialistas é que os pais possam acompanhar os desenhos animados que os filhos assistem e conversar sobre os valores transmitidos. É importante também que os pais estimulem as crianças a assistirem desenhos animados que discutam amizade, companheirismo e afeto.

E é isso o que acha Marcelo Del Greco, editor da revista Henshin da editora JBC, especializada em animação japonesa. Del Greco acredita ser importante a presença dos pais. "A criança tem que ter o acompanhamento dos pais, para eles mostrarem aos filhos o que é fantasia e o que é realidade. Desenho e vídeo game são um mundo fantasioso que não existe." Contudo, Del Greco diz que de forma alguma os desenhos japoneses influenciam negativamente o comportamento dos jovens. "Eu cresci assistindo Ultra Man e Ultra Seven, que só matavam monstros em todos os episódios e eu sei que sou uma pessoa normal. Se você sai de um mundo de ficção e tenta tornar aquilo realidade, aí vai dar problema.

Del Greco ainda complementa que muitos desenhos japoneses não são violentos e que a base para eles é a valorização da amizade. "Por exemplo, Sakura é um desenho que não é violento, não tem nada. Ali todo mundo é amigo de todo mundo. Não tem um vilão", afirma. "E isso que é o importante. Mostrar a amizade. Amigos fiéis com que você possa contar."

Para o editor da seção de animês do site Nihonsite, Alexandre Nagado, a violência dos animês não influencia em nada na formação das crianças. "Os heróis não saem dando pancada a torto e à direita em quem não gostam. Quem faz isso são os vilões. Os heróis reagem para se proteger ou salvar alguém", ele lembra. "Se uma criança se identifica com o que os vilões fazem, há algo errado na educação desta criança. O 'normal' seria a criança se identificar com o herói e assumir uma atitude de defesa da comunidade e dos valores da vida", complementa. Para Nagado, a questão principal é orientar a criança e o adolescente a separar a realidade da ficção e que esta é uma tarefa dos pais e professores. Ele ainda lembra: "uma vez num debate, a Lucélia Santos disse que as crianças deviam assistir peças de Shakespeare em vez de desenhos japoneses. Ora, como não se houvesse violência em Shakespeare. Tem homicídios, suicídios e muito sangue até em Romeu e Julieta. Shakespeare fazia apologia da violência e da morte? Acho que não. Mas muitos pais acham mesmo que é a TV quem deve educar seus filhos e se revoltam quando ela não faz isso do jeito que eles gostariam".

O garoto Jefesson Teixeira, 8 anos, adora os desenhos animados japoneses. "O que mais gosto são as lutas e quando as personagens lançam poderes como água, fogo, chicote, vento, raio congelante e outros também", diz. Mas Ana Luiza Teixeira, 42 anos, mãe de Jefesson, conta que tenta evitar que o filho assista a esses desenhos porque parecem violentos. "Sempre que possível, acompanho o que ele está assistindo e converso sobre as atitudes das personagens. Muitas vezes, assisto com ele outros desenhos e programas, como As aventuras de Babar, Meena e Castelo Ra Tim Bum, da TV Cultura".


FABIANA FONTAINHA e SANDRA MONTE no mundo dos mangás e animês há seis anos, participou de eventos, cursos sobre dublagem, fez cosplay, matérias para a revista AnimeDo 2000 e hoje faz parte da Equipe Netmals.
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E-mail: monte@escritor.zzn.com

 
   
             
     
     
     
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